domingo, 14 de fevereiro de 2010

Hell-o Kitty Hell on Earth - 5

 
Tatuagem de LSD da Hello Kitty


Bong da Hello Kitty


Bong da Louis Vuitton e Hello Kitty


  
Cocaína apreendida da Hello Kitty

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Hell-o Kitty Hell on Earth - 4

 
Maternidade da Hello Kitty


Ferrari da Hello Kitty


Quarto da Hello Kitty


  
Montanharrussa da Hello Kitty


Loja da Hello Kitty


  
Bar da Hello Kitty


  
Casa da Hello Kitty


Safari da Hello Kitty

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Hell-o Kitty Hell on Earth - 3

 
Peruca da Hello Kitty


Tatuagem da Hello Kitty
 


  
  
Escarificação da Hello Kitty


Darth Vader da Hello Kitty
  
Árvore de natal da Hello Kitty


Vestido de casamento da Hello Kitty


Comida enlatada da Hello Kitty


Anel de noivado da Hello Kitty


Vinho da Hello Kitty

Hell-o Kitty Hell on Earth - 2

 
Serra elétrica da Hello Kitty


Calibre .45 da Hello Kitty
  
Bombas da Hello Kitty


  
AK-47 da Hello Kitty


P226 da Hello Kitty


  
Granada da Hello Kitty


  
  
Choque elétrico da Hello Kitty






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Hell-o Kitty Hell on Earth - 1

 
Aparelho ortodôntico da Hello Kitty


Porta-camisinha da Hello Kitty


Camisinhas da Hello Kitty


Dinheiro da Hello Kitty


Casa de abelhas da Hello Kitty


Filtro de água da Hello Kitty


sábado, 13 de fevereiro de 2010

Carl G. Jung sobre solidão

"É somente num estado de abandono e solidão absolutos que vivenciamos os poderes prestimosos de nossa própria natureza."
É quando podemos nos voltar ao nosso mundo interno e entrar em contato com forças arquetípicas - deuses e demônios - e discriminá-las.

"Holy Sonnet X: Death, Be Not Proud" (John Donne)

 William Blake


Death, be not proud, though some have called thee
Mighty and dreadful, for thou art not so;
For those whom thou think'st thou dost overthrow
Die not, poor death, nor yet canst thou kill me.
From rest and sleep, which yet thy pictures be,
Much pleasure, then from thee much more, must low
And soonest our best men with thee do go,
Rest of their bones and soul's delivery.
Thou art slave to fate, chance, kings and desperate men
And dost with poison, war and sickness dwell,
And poppy or charms can make us sleep as well
And better than thy stroke; why swell'st thou then ?
One short sleep past, we wake eternally,
And death shall be no more; death, thou shalt die.
-------------------------------------------------
Morte não te orgulhes, embora muitos te chamam
Poderosa e apavorosa: o que não eres tu;
Porque os que pensas ter derrubado,
Não morrem, oh morte, e nunca poderias tu matar a mim.
Eres na verdade o retrato de denscanso e sono
E o prazer não é tão pouco teu.
Dos nossos os mais puros contigo vão primeiro
Para descansar seus ossos e entregar suas almas.
Tu eres escrava do destino, do acaso, de reis e homens desesperados;
Mas o veneno, a guerra e a doença também nos fazem dormir
É até melhor que fazes tu; por que então te orgulhas?
Depois do cochilo, acordaremos eternamente,
E a morte nada mais será; morte, tu morrerás.

John Donne é considerado um mestre do conceito metafísico, uma metáfora abrangente que combina duas idéias imensas em apenas uma, frequentemente utilizando imagens. Diferentemente de comparações cliché entre objetos mais intimamente relacionados (tais como uma rosa e amor), os conceitos metafísicos avançam mais profundamente no que diz respeito à comparação de dois objetos completamente diferentes, embora, às vezes, pelos paradoxos radicais e antíteses de Shakespeare. Um dos mais famosos conceitos de Donne está em "A Valediction: Forbidding Mourning", no qual compara dois amantes separados pelas hastes de um compasso.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Jack Kerouac on The Steve Allen Show



"A lot of people ask me why I wrote this book or any book. All the stories I wrote are true because I believe in what I saw. I was traveling west one time at the junction of the state line of Colorado – its arid western one, and the state line of poor Utah. I saw in the clouds huge and massed above the fearing golden desert of even fall – the Great Image of God with four fingers pointed straight at me. Through halos and rolls and gold foals that were like the existence of the gleaming spear in His right hand which sayeth c’mon boy, go thou across the ground. Go moan for man. Go moan. Go groan. Go groan alone. Go roll your bones. Alone. Go thou and be little beneath my sight. Go thou and be minutest seed in the pod. Go thou go thou – die hence, and if this world report you well and truly.
I'm writing this book because we're all going to die - In the loneliness of my life, my father dead, my brother dead, my mother far away, my sister and my wife far away, nothing here but my own tragic hands that once were guarded by a world, a sweet attention, that now are left to guide and disappear their own way into the common dark of all our death, sleeping in me raw bed, alone and stupid: with just this one pride and consolation: my heart broke in the general despair and opened up inward to the Lord, I made a supplication in this dream.
So in the last page of On the Road, I describe how the hero Dean Moriarty has come to see me all the way from the West Coast just for a day or two. We’d just been back and forth across the country several times in cars, and now our adventures are over. We’re still great friends, but we have to go into later phases of our lives. So there he goes, Dean Moriarty, ragged in a motheaten overcoat he brought specially for the freezing temperatures of the East, walking off alone, and last I saw of him he rounded the corner of Seventh Avenue, eyes on the street ahead and bent to it again. Gone.
So in America when the sun goes down and I sit on the old broken-down river pier watching the long, long skies over New Jersey and sense all that raw land that rolls in one unbelievable huge bulge over to the West Coast, and all that road going, all the people dreaming in the immensity of it, and in Iowa I know by now the children must be crying in the land where they let the children cry, and tonight the stars’ll be out, and don’t you know that God is Pooh Bear? the evening star must be drooping and shedding her sparkler dims on the prairie, which is just before the coming of complete night that blesses the earth, darkens all rivers, cups the peaks and folds the final shore in, and nobody, nobody knows what’s going to happen to anybody besides the forlorn rags of growing old, I think of Dean Moriarty, I even think of Old Dean Moriarty the father we never found, I think of Dean Moriarty. I think of Dean Moriarty."
 Tradução:

"Muita gente me pergunta por que escrevi esse livro ou qualquer livro. Todas as histórias que escrevi são verdadeiras, porque acredito no que eu vi. Estive no Oeste uma vez, e no entroncamento para o Colorado, na estrada West 1, numa parada lá por Utah, eu vi entre as nuvens, imenso e poderoso sobre o ardente e brilhante fim de tarde no deserto, a imagem de Deus, com seu indicador apontando direto para mim. E num instante que valeria uma vida inteira, estendeu sua mão direita e disse: “Vá garoto, vá logo atravessar essa terra.” “Vá se queixar aos homens, vá sofrer.” “Vá sofrer sozinho. Vá dar suas cartas sozinho.” “Saia e estará mais próximo de estar ao meu lado.” “Saia e seja a menor semente em uma vagem.” “Saia, saia com tuas mãos e esse mundo saberá que o que diz é verdade.” Enfim, escrevi esse livro porque vamos todos morrer. Na solidão da minha vida, meu pai morreu, meu irmão morreu. Minha mãe está longe. Minha irmã e minha mulher estão longe. Nada aqui além de minhas mãos trágicas, pedindo uma palavra doce ou atenção. E que agora foram deixadas para guiar e desaparecer na escuridão das nossas vidas, dormindo numa cama crua, sozinho e tolo: Com esse único prêmio de consolação? Meu coração está partido, em total desespero. Termino com hinos ao Senhor, lançando súplicas nesse sonho. Assim, na última página de On the Road, descrevo como o herói Dean Moriarty veio me ver na costa Oeste por uns dias, andou comigo por todo o país várias vezes, e passou por aventuras comigo. E ainda era amigo mesmo nos piores momentos de nossas vidas. Esfarrapado num sobretudo comido por traças, que havia comprado especialmente para as gélidas temperaturas do Leste, afastou-se a pé sozinho. E a última visão que tive dele, foi quando dobrou a esquina da 7ª avenida, com os olhos voltados para a rua em frente e dobrou outra vez. Ele se foi. Então, na América, quando o sol se põe e me sento no velho e arruinado cais, olhando os longos, longos céus de Nova Jersey, e posso sentir toda aquela terra rude se derramando numa única, inacreditável e elevada vastidão até a costa Oeste, e toda aquela estrada seguindo em frente, todas as pessoas sonhando nessa imensidão e em Iowa, eu sei que agora as crianças devem estar chorando na terra onde deixam as crianças chorar. E essa noite as estrelas aparecerão e você não sabe que Deus é a Ursa Maior. E a estrela do entardecer deve estar morrendo e irradiando sua pálida cintilância sobre a pradaria, antes da chegada total da noite que abençoa a terra, escurece todos os rios, recobre os picos e oculta a última praia. E ninguém, ninguém sabe o que vai acontecer a qualquer pessoa, para além dos miseráveis trapos da velhice. Eu penso em Dean Moriarty, penso até no velho Dean Moriarty, o pai que nunca encontramos. Eu penso em Dean Moriarty. Eu penso em Dean Moriarty."

sábado, 6 de fevereiro de 2010

O Uivo - Allen Ginsberg


Hal Chase, Jack Kerouac, Allen Ginsberg, William S. Burroughs, Morningside Heights, New York City, 1944 - 1945

O Uivo
Para Carl Solomon
 I

Eu vi os expoentes da minha geração, destruídos pela
    loucura, morrendo de fome, histéricos, nus,
arrastando-se pelas ruas do bairro negro de madrugada
    em busca de uma dose violenta de qualquer coisa,
hipsters com cabeça de anjo ansiando pelo antigo
    contato celestial com o dínamo estrelado da
    maquinaria da noite,
que pobres esfarrapados e olheiras fundas, viajaram
    fumando sentados na sobrenatural escuridão dos
    miseráveis apartamentos sem água quente, flutuando
    sobre os tetos das cidades contemplando o jazz,
que desnudaram seus cérebros ao céu sob o Elevado
    e viram anjos maometanos cambaleando iluminados
    nos telhados das casas de cômodos,
que passaram por universidades com olhos frios e
    radiantes alucinando Arkansas e tragédias à luz
    de Blake entre os estudiosos da guerra,
que foram expulsos das universidades por serem loucos
    & publicarem odes obscenas nas janelas do crânio,
que se refugiaram em quartos de paredes de pintura
    descascada em roupa de baixo queimando seu
    dinheiro em cestos de papel escutando o Terror
    através da parede,
que foram detidos em suas barbas púbicas voltando
    por Laredo com um cinturão de marihuana para
    Nova Iorque,
que comeram fogo em hotéis mal pintados ou
    beberam terebentina em Paradise Alley, morreram ou
    flagelaram seus torsos noite após noite com
    som, sonhos, com drogas, com pesadelos na vigília,
    álcool e caralhos em intermináveis orgias,
incomparáveis ruas cegas sem saída de nuvem trêmula,
    e clarão na mente pulando nos postes dos pólos de
    Canadá & Paterson, iluminando completamente o
    mundo imóvel do Tempo intermediário,
solidez de Peiote dos corredores, aurora de fundo de
    quintal das verdes árvores do cemitério, porre de vinho
    nos telhados, fachadas de lojas de subúrbio
    na luz cintilante de neon do tráfego na
    corrida de cabeça feita do prazer, vibrações de
    sol e lua e árvore no tronco de crepúsculo de
    inverno de Brooklyn, declamações entre latas
    de lixo e a suave soberana luz da mente,
que se acorrentaram aos vagões do metrô para o
    infindável percurso do Battery ao sagrado Bronx
    de benzedrina até que o barulho das rodas e
    crianças os trouxesse de volta, trêmulos, a boca
    arrebentada o despovoado deserto do cérebro
    esvaziado de qualquer brilho na lúgubre luz do Zoológico,
que afundaram a noite toda na luz submarina
    de Bickford´s, voltaram à tona e passaram a tarde
    de cerveja choca no desolado Fuggazi´s escutando
    o matraquear da catástrofe na vitrola
    automática de hidrogênio,
que falaram setenta e duas horas sem parar do
    parque ao apê ao bar ao Hospital Bellevue ao
    Museu à Ponte do Brooklyn,
batalhão perdido de debatedores platônicos saltando
    dos gradis das escadas de emergência dos parapeitos
    das janelas do Empire State da Lua,
tagarelando, berrando, vomitando, sussurrando fatos
    e lembranças e anedotas e viagens visuais e choques
    nos hospitais e prisões e guerras,
intelectos inteiros regurgitados em recordação total
    com os olhos brilhando por sete dias e noites,
    carne para a sinagoga jogada à rua,
que desapareceram no Zen de Nova Jersey de
    lugar algum deixando um rastro de postais ambíguos
    do Centro Cívico de Atlantic City,
sofrendo suores orientais, pulverizações tangerianas
    de ossos e enxaquecas da China por causa da
    falta da droga no quarto pobremente mobiliado de Newark,
que deram voltas e voltas à meia noite no pátio da
    ferrovia perguntando-se aonde ir e foram, sem
    deixar corações partidos,
que acenderam cigarros em vagões de carga, vagões
    de carga, vagões de carga, que rumavam ruidosamente
    pela neve até solitárias fazendas dentro da noite do avô,
que estudaram Plotino, Poe, São João da Cruz, telepatia
    e bop-cabala pois o Cosmos instintivamente
    vibrava a seus pés em Kansas,
que passaram solitários pelas ruas de Idaho procurando
    anjos índios e visionários que eram anjos índios e visionários
que só acharam que estavam loucos quando Baltimore
    apareceu em estase sobrenatural,
que pularam em limusines com o chinês de Oklahoma
    no impulso da chuva de inverno na luz das ruas
    da cidade pequena à meia-noite,
que vaguearam famintos e sós por Huston procurando
    jazz ou sexo ou rango e seguiram o espanhol
    brilhante para conversar sobre a América e a Eternidade,
    inútil tarefa, e assim embarcaram
    num navio para a África,
que desapareceram nos vulcões do México
    nada deixando além da sombra das suas calças
    rancheiras e a lava e a cinza da poesia espalhadas
    pela lareira Chicago,
que reapareceram na Costa Oeste investigando o FBI
    de barba e bermudas com grandes olhos pacifistas
    e sensuais nas suas peles morenas, distribuindo
    folhetos ininteligíveis,
que apagaram cigarros acesos nos seus braços
    protestando contra o nevoeiro narcótico de
    tabaco do Capitalismo,
que distribuiram panfletos supercomunistas em Union
    Square, chorando e despindo-se enquanto as
    Sirenes de Los Alamos os afugentavam gemendo
    mais alto que eles e gemiam pela Wall Street e
    também gemia a balsa de Staten Island
que caíram em prantos em brancos ginásios desportivos,
    nus e trêmulos diante da maquinaria de outros esqueletos,
que morderam policiais no pescoço e berraram de
    prazer nos carros de presos por não terem cometido
    outro crime a não ser sua transação pederástica e tóxica,
que uivaram de joelhos no metrô e foram arrancados do
    telhado sacudindo genitais e manuscritos,
que se deixaram foder no rabo por motociclistas
    santificados e berraram de prazer,
que enrabaram e foram enrabados por esses serafins
    humanos, os marinheiros, carícias de amor
    atlântico e caribeano,
que transaram pela manhã e ao cair da tarde em
    roseirais, na grama de jardins públicos e cemitérios,
    espalhando livremente seu sêmen para
    quem quisesse vir,
que soluçaram interminavelmente tentando gargalhar
    mas acabaram choramingando atrás de um tabique
    de banho turco onde o anjo loiro e nu veio
    trespassá-los com sua espada,
que perderam seus garotos amados para as três
    megeras do destino, a megera caolha do dólar heterossexual, megera caolha que pisca de
    dentro do ventre e a megera caolha que só sabe
    sentar sobre sua bunda retalhando os dourados
    fios intelectuais do tear do artesão,
que copularam em êxtase insaciável com um garrafa
    de cerveja, uma namorada, um maço de cigarros, uma
    vela, e caíram na cama e continuaram
    pelo assoalho e pelo corredor e terminaram
    desmaiando contra a parede com uma visão da
    boceta final e acabaram sufocando o derradeiro lampejo da
    consciência,
que adoçaram as trepadas de um milhão de garotas
    trêmulas ao anoitecer, acordaram de olhos vermelhos
    no dia seguinte mesmo assim prontos
    para adoçar trepadas na aurora, bundas luminosas
    nos celeiros e nus no lago,
que foram transar em Colorado numa miríade de
    carros roubados à noite, N.C., herói secreto destes
    poemas, garanhão e Adônis de Denver – prazer
    ao lembrar suas incontáveis trepadas com garotas
    em terrenos baldios & pátios dos fundos de
    restaurantes de beira de estrada, raquíticas fileiras
    de poltronas de cinema, picos de montanha
    cavernas com esquálidas garçonetes no
    familiar levantar de saias solitário à beira da
    estrada & especialmente secretos solipsismos de
    mictórios de postos de gasolina & becos da cidade
    natal também,
que se apagaram em longos filmes sórdidos, foram
    transportados em sonho, acordaram num
    Manhattan súbito e conseguiram voltar com uma
    impiedosa ressaca de adegas de Tokay e horror
    dos sonhos de ferro da Terceira Avenida &
    cambalearam até as agências de desemprego,
que caminharam a noite toda com os sapatos cheios
    de sangue pelo cais coberto por montões de
    neve, esperando que uma porta se abrisse no
    East River dando para um quarto cheio de vapor e ópio,
que criaram grandes dramas suicidas nos penhascos
    de apartamentos do Huston à luz azul de holofote
    antiaéreo da luta & suas cabeças receberão
    coroas de louro no esquecimento,
que comeram o ensopado de cordeiro da imaginação
    ou digeriram o caranguejo do fundo lodoso dos
    Rios de Bovery,
que choraram diante do romance das ruas com seus
    carrinhos de mão cheios de cebola e péssima música,
que ficaram sentados em caixotes respirando a
    escuridão sob a ponte e ergueram-se para construir
    clavicórdios em seus sótãos,
que tossiram num sexto andar do Harlem coroando de
    chamas sob um céu tuberculoso rodeados pelos
    caixotes de laranja da teologia,
que rabiscaram a noite toda deitando e rolando sobre
    invocações sublimes que ao amanhecer amarelado
    revelaram-se versos de tagarelice sem sentido,
que cozinharam animais apodrecidos, pulmão coração
    pé rabo borsht & tortilhas sonhando com
    o puro reino vegetal,
que se atiraram sob caminhões de carne
    em busca de um ovo,
que jogaram seus relógios do telhado fazendo seu
    lance de aposta pela Eternidade fora do Tempo
    & despertadores caíram em suas cabeças por
    todos os dias da década seguinte,
que cortaram seus pulsos sem resultado três vezes
    seguidas, desistiram e foram obrigados a abrir
    lojas de antiguidades onde acharam que estavam
    ficando velhos e choraram,
que foram queimados vivos em seus inocentes
    ternos de flanela em Madison Avenue no meio das
    rajadas de versos de chumbo & o estrondo contido
    dos batalhões de ferro da moda & os guinchos
    de nitroglicerina das bichas da propaganda &
    o gás mostarda de sinistros editores inteligentes
    ou foram atropelados pelos taxis bêbados
    da Realidade Absoluta,
que se jogaram da ponte de Brooklyn, isso realmente
    aconteceu, e partiram esquecidos e desconhecidos
    para dentro da espectral confusão das ruelas
    de sopa & carros de bombeiros de Chinatown,
    nem uma cerveja de graça,
que cantaram desesperados nas janelas, jogaram-se
    da janela do metrô saltaram no imundo rio
    Paissac, pularam nos braços dos negros, choraram
    pela rua afora, dançaram sobre garrafas
    quebradas de vinho descalços arrebentando
    nostálgicos discos de jazz europeu dos anos 30
    na Alemanha, terminaram o whisky e vomitaram
    gemendo no toalete sangrento, lamentações nos
    ouvidos e o sopro de colossais apitos a vapor,
que mandaram brasa pelas rodovias do passado
    viajando pela solidão da vigília da cadeia de
    Gólgota de carro envenenado de cada um ou então
    a encarnação do Jazz de Birmingham,
que guiaram atravessando o país durante setenta e duas
    horas para saber se eu tinha tido uma visão ou se ele tinha
    tido uma visão para descobrir a Eternidade,
que viajaram para Denver, que morreram em Denver,
    que retornaram a Denver & esperaram em vão,
    que espreitaram Denver & ficaram parados pensando
    & solitários em Denver e finalmente partiram
    para descobrir o Tempo & agora Denver está
    saudosa de seus heróis,
que caíram de joelhos em catedrais sem esperança
    rezando por sua salvação e luz e peito até que a
    alma iluminasse seu cabelo por um segundo,
que se arrebentassem nas suas mentes na prisão
    aguardando impossíveis criminosos de cabeça
    dourada e o encanto da realidade em seus corações
    que entoavam suaves blues de Alcatraz,
que se recolheram ao México para cultivar um
    vício ou às Montanhas Rochosas para o suave
    Buda ou Tânger para os garotos do Pacífico Sul
    para a locomotiva negra ou Havard para Narciso
    para o cemitério de Woodlaw para a coroa
    de flores para o túmulo,
que exigiram exames de sanidade mental acusando
    o rádio de hipnotismo & foram deixados com sua
    loucura & e mãos & um júri suspeito,
que jogaram salada de batata em conferencistas da
    Universidade de Nova Iorque sobre Dadaísmo
    e em seguida se apresentaram nos degraus de
    granito do manicômio com cabeças raspadas e
    fala de arlequim sobre suicídio, exigindo
    lobotomia imediata,
e que em lugar disso receberam o vazio concreto da
    insulina metrazol choque elétrico hidroterapia
    psicoterapia terapia ocupacional pingue-pongue
    & amnésia,
que num protesto sem humor viraram apenas uma
    mesa simbólica de pingue-pongue mergulhando
    logo a seguir na catatonia,
voltando anos depois, realmente calvos exceto por
    uma peruca de sangue e lágrimas e dedos
    para a visível condenação de louco nas celas das
    cidades-manicômio do Leste,
Pilgrim State, Rockland, Greystone, seus corredores
    fétidos, brigando com os ecos da alma, agitando-se
    e rolando e balançando no banco de solidão à
    meia-noite dos domínios de mausoléu
    druídico do amor, o sonho da vida um
    pesadelo, corpos transformados em pedras
    tão pesadas quanto a lua,
com a mãe finalmente ***** e o último livro
    fantástico atirado pela janela do cortiço e a última
    porta fechada às 4 da madrugada e o último
    telefone arremessado contra a parede em
    resposta e o último quarto mobiliado esvaziado até
    a última peça de mobília mental, uma rosa de papel
    amarelo retorcida num cabide de arame do armário
    e até mesmo isso imaginário, nada mais
    que um bocadinho esperançoso de alucinação –
ah, Carl, enquanto você não estiver a salvo eu não
    estarei a salvo e agora você está inteiramente
    mergulhado no caldo animal total do tempo –
e que por isso correram pelas ruas geladas obcecadas
    por um súbito clarão da alquimia do uso da elipse
    do catálogo do metro inviável & do plano vibratório,
que sonharam e abriram brechas encarnadas no
    Tempo & Espaço através de imagens justapostas
    e capturaram o arcanjo da alma entre 2 imagens
    visuais e reuniram os verbos elementares e
    juntaram o substantivo e o choque da consciência
    saltando numa sensação de Pater Omnipotens
    Aeterne Deus,
para recriar a sintaxe e a medida da pobre prosa
    humana e ficaram parados à sua frente, mudos e
    inteligentes e trêmulos de vergonha, rejeitados
    todavia expondo a alma para conformar-se ao
    ritmo do pensamento em sua cabeça nua e infinita,
o vagabundo louco e Beat angelical no Tempo,
    desconhecido mas mesmo assim deixando aqui
    o que houver para ser dito no tempo após a morte,
e se reergueram reencarnados na roupagem
    fantasmagórica do jazz no espectro de trompa
    dourada da banda musical e fizeram soar o
    sofrimento da mente nua da América pelo
    amor num grito de saxofone de eli eli lama lama
    sabactani que fez com que as cidades tremessem
    até seu último rádio,
com o coração absoluto do poema da vida arrancado
    de seus corpos bom para comer por mais mil anos.

II

Que esfinge de cimento e alumínio arrombou seus
   crânios e devorou seus cérebros e imaginação?
Moloch! Solidão! Sujeira! Fealdade! Latas de
   lixo o dólares intangíveis! Crianças berrando
   sob as escadarias! Garotos soluçando nos
   exércitos! Velhos chorando nos parques!
Moloch! Moloch! Pesadelo de Moloch! Moloch o
   mal-amado! Moloch mental! Moloch o pesado
   juiz dos homens!
Moloch a incompreensível prisão! Moloch o
   presídio desalmado de tíbias cruzadas e o Congresso
   dos Sofrimentos! Moloch cujos prédios são
   julgamento! Moloch a vasta pedra da guerra!
   Moloch os governos atônitos!   
Moloch cuja mente é pura maquinaria! Moloch cujo
   sangue é dinheiro corrente! Moloch cujos
   dedos são dez exércitos! Moloch cujo peito é
   um dínamo canibal! Moloch cujo ouvido é
   um túmulo fumegante!
Moloch cujos olhos são mil janelas cegas! Moloch
   cujos arranha-céus jazem ao longo de ruas como
   infinitos Jeovás! Moloch cujas fábricas sonham
   e grasnam na neblina! Moloch cujas colunas de fumaça
   e antenas coroam as cidades!
Moloch cujo amor é interminável óleo e pedra!
   Moloch cuja alma é eletricidade e bancos!
   Moloch cuja pobreza é o espectro do gênio!
   Moloch cujo destino é uma nuvem de hidrogênio
   sem sexo! Moloch cujo nome é a Mente!
Moloch em que permaneço solitário! Moloch em
   que sonho com anjos! Louco em Moloch!
   Chupador de caralhos em Moloch! Mal-amado
   e sem homens em Moloch!
Moloch que penetrou cedo na minha alma! Moloch
   em quem sou uma consciência sem corpo!
   Moloch que me afugentou do meu êxtase natural!
   Moloch a quem abandono! Despertar em Moloch!
   Luz escorrendo do céu!
Moloch! Moloch! Apartamentos de robôs! Subúrbios
   invisíveis! Tesouros de esqueletos! Capitais cegas!
   Indústrias demoníacas! Nações espectrais!
   Invencíveis hospícios! Caralhos de granito!
   Bombas monstruosas!
Eles quebraram suas costas erguendo Moloch ao Céu!
   Calçamento, arvores, rádios, toneladas! Levantando
   a cidade ao Céu que existe e está em todo lugar
   ao nosso redor!
Visões! Profecias! Alucinações! Milagres! Êxtases!
   Descendo pela correnteza do rio americano!
Sonhos! Adorações! Iluminações! Religiões! O
   carregamento todo em bosta sensitiva!
Desabamentos! Sobre o rio! Saltos e crucificações!
    Descendo a correnteza! Ligados! Epifanias!
    Desesperos! Dez anos de gritos animais e suicídios!
   Mentes! Amores novos! Geração louca! Jogados
   nos rochedos do Tempo!
Verdadeiro riso no santo rio! Eles viram tudo! O olhar
   selvagem! Os berros sagrados! Eles deram adeus!
   Pularam do telhado! Rumo à solidão! Acenando! Levando
   flores! Rio abaixo! Rua acima!

III

Carl Solomon! Eu estou com você em Rockland
   onde você está mais louco do que eu
Eu estou com você em Rockland
   onde você deve sentir-se muito estranho
Eu estou com você em Rockland
   onde você imita a sombra da minha mãe
Eu estou com você em Rockland
   onde você assassinou suas doze secretárias
Eu estou com você em Rockland
   onde você ri desse humor invisível
Eu estou com você em Rockland
   onde somos grandes escritores na mesma
   abominável máquina de escrever
Eu estou com você em Rockland
   onde seu estado se tornou muito grave e é
   noticiado pelo rádio
Eu estou com você em Rockland
   onde as faculdades do crânio não agüentam
    mais os vermes dos sentidos
Eu estou com você em Rockland
   onde você bebe o chá dos seios das solteironas
   de Utica
Eu estou com você em Rockland
   onde você bolina os corpos das suas
   enfermeiras as harpias do bronx
Eu estou com você em Rockland
   onde você grita de dentro de uma camisa de
   força que está perdendo o verdadeiro jogo
   de pingue-pongue do abismo
Eu estou com você em Rockland
   onde você martela o piano catatônico a alma
   é inocente e imortal e nunca poderia morrer
   impiamente num hospício armado,
Eu estou com você em Rockland
   onde com mais de cinqüenta eletrochoques
   sua alma nunca mais retornará a seu corpo de
   volta de sua peregrinação rumo a uma cruz
   no vazio
Eu estou com você em Rockland
   onde você acusa seus médicos de loucura e
   prepara a revolução socialista hebraica contra
   o Gólgota nacional e fascista
Eu estou com você em Rockland
   onde você rasga os céus de Long Island e faz
   surgir seu Jesus vivo e humano do túmulo
   sobre-humano
Eu estou com você em Rockland
   onde há mais de vinte e cinco mil camaradas
   loucos todos juntos cantando os versos finais da
   Internacional
Eu estou com você em Rockland
   onde abraçamos e beijamos os Estados Unidos
   sob nossas cobertas Estados Unidos que
   tossem a noite toda e não nos deixam dormir
Eu estou com você em Rockland
   onde despertamos eletrocutados do coma pelos
   nossos próprios aeroplanos da mente roncando
   sobre o telhado eles vieram jogar bombas
   angelicais o hospital ilumina-se paredes imaginárias
   desabam Ó legiões esqueléticas correi para fora
   Ó choque de misericórdia salpicado de estrelas
   a guerra eterna chegou Ó vitória esquece tua roupa
   de baixo estamos livres
Eu estou com você em Rockland
   nos meus sonhos você caminha gotejante de volta
   de uma viagem marítima pela grande rodovia que
   atravessa a América em lágrimas até a porta do
   meu chalé dentro da Noite Ocidental.